quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Estabilidade institucional é um sonho cada vez mais alto na Argentina

Senado aprova nacionalização da previdência na Argentina , uma lei que coloca novas incertezas sobre o futuro do país, apesar de que não se pode tomar a medida pelo seu lado símbolico, como uma simples estatização, pois não se sabe como funcionavam esses fundos de pensão. De toda forma, a mensagem econômica é muito clara: instabilidade política e falta de previsibilidade.

http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2008/11/081121_previdencia_argentina_mc_cq.shtml

"A nova lei, que elimina as chamadas AFJPs (Administradoras de Fundos de Pensões e de Aposentadorias), prevê a transferência de cerca de US$ 25 bilhões para os cofres da Anses (a previdência estatal).

Há um mês, quando a nacionalização foi anunciada, este valor estava em torno dos US$ 30 bilhões, mas a queda nas ações e títulos públicos onde os recursos estavam aplicados reduziu o capital.

Além destes recursos, estima-se que outros US$ 8 bilhões vão engordar, por ano, os cofres oficiais.

A nacionalização permitirá que o governo tenha ações em empresas privadas de diferentes setores, como de telecomunicações, imprensa e construção, entre outros. A transferência das AFJPs para a Anses deverá entrar em vigor em janeiro.

(...)

O fim da previdência privada provocou protestos, contra e a favor da medida, em frente ao Congresso Nacional.

Empresários criticaram a medida e questionaram se a segurança jurídica seria respeitada no país, como destacaram integrantes da Associação de Dirigentes de Empresas.

Em entrevista à emissora TN (Todo Notícias), o presidente da Fiat, Cristiano Rattazzi, afirmou que "o confisco das AFJPs gerou uma série de preocupações, além de tirar a liquidez do mercado local".

Por sua vez, o senador Ernesto Sanz, da opositora UCR (União Cívica Radical), disse que a nacionalização é "uma violação ao direito de propriedade privada das AFJPs e dos contribuintes".

Os recursos das AFJPs eram usados como base para créditos de eletrodomésticos. Empresários e consumidores temem que estas vendas sejam afetadas.

"O que vai acontecer de agora em diante? Sabemos que estamos em tempos de incertezas no país. As empresas atuam com cautela, com preocupação. Já tivemos esse ano uma crise, mais grave que esta (quando os fazendeiros realizaram locaute) e agora o governo precisa deixar algumas coisas claras para reduzir essas incertezas", afirmou o comentarista econômico do canal 13, Marcelo Bonelli.

Uma das preocupações é que a medida contribua para gerar desconfiança de longo prazo para com o país, que desde o default da dívida, em 2001, tem dificuldades de crédito internacional. "

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